O Brasil registrou, em setembro de 2025, o maior volume de arrecadação federal já contabilizado para o mês desde o início da série histórica, em 1995. Segundo dados da Receita Federal, foram arrecadados R$ 216,7 bilhões, um crescimento real de 3,49% em relação ao mesmo período de 2024. No acumulado de janeiro a setembro, o total chega a R$ 2,1 trilhões, impulsionado pela reoneração de combustíveis e pela recuperação da atividade econômica.
Apesar do desempenho recorde, as contas públicas permanecem deficitárias. De acordo com o Tesouro Nacional, o governo acumulou déficit primário de R$ 26,6 bilhões até agosto, equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB). A situação fiscal tende a se agravar com a caducidade da Medida Provisória 1.303, que deve ampliar o rombo em cerca de R$ 46 bilhões até 2026.
Para conter o desequilíbrio, o governo federal busca aprovar no Congresso um novo pacote fiscal. A proposta prevê a redução de 10% nos incentivos tributários — que somam aproximadamente R$ 544 bilhões anuais — e o aumento de tributos sobre fintechs, apostas e ajustes no Imposto de Renda.
Mesmo com essas medidas, a meta de equilíbrio fiscal ainda parece distante. O Executivo estuda flexibilizar o arcabouço fiscal para permitir novos gastos com pessoal e concessões em um ano eleitoral. Essa estratégia pode ampliar as despesas públicas em um contexto de forte crescimento da arrecadação.
O cenário evidencia um contraste: enquanto a receita federal atinge níveis históricos, os gastos do governo continuam em expansão, mantendo o desafio de equilibrar as contas públicas.


