O mercado de energia no Brasil vive um momento de contradições profundas. Recentemente, uma subsidiária do grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, arrematou contratos de fornecimento de energia com valores que acenderam o alerta de especialistas e associações de consumidores. O ponto central da polêmica é o preço: cerca de 50% superior à média praticada em certas categorias do setor.
O Negócio e a Manobra
A vitória do grupo ocorre em um contexto de expansão agressiva da Âmbar Energia (braço do grupo J&F). Após adquirir ativos estratégicos da Eletrobras e assumir o controle da distribuidora Amazonas Energia, o grupo consolidou sua posição no segmento de térmicas.
A polêmica ganha corpo devido aos contratos de energia de reserva e medidas provisórias que facilitam a operação de usinas movidas a combustíveis fósseis — como o carvão e o gás — em detrimento de opções mais baratas. O custo extra dessa energia “cara” não desaparece; ele é rateado diretamente na conta de luz de todos os brasileiros através dos encargos setoriais.
Discurso Verde vs. Realidade Fóssil
O governo federal tem mantido um discurso robusto em fóruns internacionais sobre a “Transição Energética” e o “Brasil Verde”. No entanto, a viabilização de leilões que privilegiam a energia térmica (mais suja e cara) contradiz diretamente essa agenda.
Enquanto grandes grupos econômicos garantem contratos bilionários com margens confortáveis acima do mercado, o pequeno consumidor e o setor de energia solar residencial enfrentam um cenário oposto.
A “Taxação do Sol” e o Peso no Bolso
A disparidade é nítida:
- Grandes Grupos: Recebem garantias de compra de energia fóssil com preços inflacionados.
- Cidadão Comum: Sofre com o aumento de impostos e a retirada de subsídios para a energia solar fotovoltaica (o que muitos chamam de “taxação do sol”).
O desincentivo à geração própria de energia limpa, somado ao subsídio indireto a usinas térmicas de grande escala, cria um ambiente onde a eficiência energética é punida, e o lobby político-empresarial é premiado.
Fontes: * Dados de leilões da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).
- Relatórios de mercado sobre a aquisição de ativos da Eletrobras pela Âmbar Energia.
- Análises setoriais sobre a Lei 14.300/22 (Marco Legal da Geração Distribuída).


