Os dados do Novo Caged divulgados em outubro revelam uma mudança importante na geografia do emprego no Brasil. Em um mês marcado pela desaceleração nacional, o Nordeste assumiu o protagonismo e foi a região que mais gerou postos de trabalho formais no país, registrando um saldo positivo de +33.831 vagas.
O desempenho é simbólico porque inverte a lógica tradicional: o Nordeste superou o Sudeste — historicamente o maior mercado do país —, que criou +20.795 vagas. Na sequência, aparecem o Sul (+13.847), Centro-Oeste (+12.169) e Norte (+4.486).
Análise: Por que o Nordeste liderou?
A explicação para essa liderança está na composição econômica. O mês de outubro foi severo com os setores produtivos: no agregado nacional, a Indústria fechou 10 mil vagas e o Agronegócio encerrou outras 9,9 mil.
Essa retração atingiu em cheio o Sul e o Sudeste, que concentram o parque industrial e grandes polos do agronegócio de exportação. Já o Nordeste mostrou-se mais resiliente a esse cenário adverso. A região se beneficiou da força do setor de Serviços (que nacionalmente salvou o mês com +82 mil vagas) e do aquecimento antecipado do Comércio para o fim de ano.
Ou seja: enquanto a “fábrica” e o “campo” pisaram no freio no Centro-Sul, o setor de serviços e consumo continuou acelerado no Nordeste.
Cenário Nacional
No balanço geral, o Brasil criou 85.147 vagas. É um resultado positivo, mas que acende um alerta: foi o pior mês de outubro desde 2020, representando uma queda de 35% no ritmo de contratações em relação ao ano passado.
Apesar do volume menor de vagas, a qualidade da renda teve leve melhora. O salário médio de admissão no país subiu para R$ 2.304,31, um ganho real de 2,4% na comparação anual.
Para os últimos dois meses de 2025, a tendência é que o Nordeste continue desempenhando um papel fundamental para sustentar os índices nacionais, apoiado na injeção do 13º salário e na alta temporada do turismo, setores onde a região tem vantagem competitiva.


